[textos] “Começo e fim”: terceiro texto em parceria com o blog de Rob List

[Tjebbe Roelefs e Constance Neuenschwander performam Injerto/Greffe, de Rob List / fonte: twi-ny.com]

Terceiro texto da série em parceria com o blog do coreógrafo e performer norte-americano Rob List, “Começo e fim” estabelece uma reflexão sobre coreografia apoiada no que acontece entre o início e a conclusão de um movimento. André Bern, colaborador do ctrl+alt+dança, é o responsável pela tradução dos textos, que podem ser lidos em inglês no blog de Rob: Mirror to the Flower. Os outros dois textos traduzidos que compõem a série são “Valor de mercado” e “Uma prática”.

COMEÇO E FIM, por Rob List

(Tradução de André Bern)

[para ler o texto original em inglês, clique aqui]

O começo e o fim de um movimento são pólos fixos do que podemos chamar de coreografia. Geralmente nos preocupamos com o que acontece entre eles, na musicalidade e dinâmica do corpo no tempo e nas formas e posições do corpo no espaço. Começo e fim implicam uma caesura, um espaço para que a gramática do movimento ocorra.

Em geral, o começo e o fim de qualquer gesto na dança ou teatro de movimento são facilmente identificáveis. A maior parte do treinamento em dança clássica enfatiza a clareza ao iniciar ou resolver um movimento, e tal clareza ou pontualidade também é comum nas coreografias de muitos artistas modernos, pós-modernos e contemporâneos. Aqui começa, ali termina; todo mundo consegue enxergar a tomada de decisão. Esta clareza é, com frequência, resultado de uma precisão musical, o papel tradicional da dança ao acompanhar a música em “sete, oito!”. Não começar ou terminar com clareza é comumente considerado sujo, desfocado ou sem técnica.

Começo e fim também revelam uma intenção subjacente – fazer ou coreografar algo. Enxergar o começo ou fim de um movimento significa visualizar um planejamento ou intenção em curso. Começar ou parar indicam em si mesmos uma demonstração ou exibição de intenção. O espectador reconhece uma tal intenção e tenta avaliar ou interpretar o que se pretende. Gosto disso? Estou entendendo?

Se este planejamento está de alguma maneira escondido ou expressamente não-indicado, o espectador apenas se dá conta de um movimento depois que o mesmo já começou, só se conscientiza do seu fim depois que já terminou. Uma experiência, então, instaura-se, tal como assistir a um número de mágica, onde a incompreensão e a curiosidade se tornam um prazer em si, e a dança um terreno comum de encantamento “ante(s) (de) seus próprios olhos”.

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