Porque todo dia era dia de índio: uma re-postagem sobre a Aldeia Maracanã (RJ)

[Aldeia Maracanã antes da expulsão d@s índi@s pela tropa de choque do Rio de Janeiro / foto: ctrl+alt+dança]

Como diz a letra da música consagrada por Baby do Brasil, “todo dia era dia de índio, mas agora ele só tem o dia 19 de abril, mas agora ele só tem o dia 19 de abril…”. E se hoje é 19/abr, Dia Nacional do Índio, então o ctrl+alt+dança faz uma re-postagem para homenagear nossa terra brasileira e suas/seus primeir@s habitantes, noss@s avós e avôs indígenas.

Em 29/jan deste ano, publicamos um texto e um vídeo de uma bonita conversa que tivemos na Aldeia Maracanã (RJ), com Daniel Puri e Potira Cricati, sobre a cultura indígena, suas danças e a necessidade de sua permanência. É importante ressaltar que a Aldeia Maracanã já não mais habita o prédio histórico do antigo Museu do Índio, localizado ao lado do Estádio do Maracanã. Em 22/mar/2013, exatos dois meses após nossa postagem, as etnias indígenas que habitavam o prédio foram retiradas do local à força pela tropa de choque da cidade do Rio de Janeiro.

Aproveitamos para destacar que acontece hoje, às 17h30, uma audiência pública sobre a Aldeia Maracanã na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), onde haverá uma mesa de debates com lideranças indígenas e outr@s convidad@s. Saiba mais clicando aqui.

Segue abaixo nossa re-postagem. O ctrl+alt+dança manifesta seu apoio à causa indígena em todo o país:

Em 22/jan, ao som intermitente das máquinas da grande reforma do Estádio Jornalista Mário Filho (que pode ser ouvido ao fundo no vídeo), apelidado de Maracanã (“arara amarela”, em tupi-guarani), conversamos com Potira Cricati e Daniel Puri. Estávamos na Aldeia Maracanã, localizada no prédio histórico do antigo Museu do Índio, que fica exatamente ao lado do Estádio.

ctrl+alt+dança foi até a Aldeia saber um pouco mais sobre as contingências culturais desse centro de referência indígena, que segue ameaçado por uma ordem de despejo d@s indígenas e demolição do prédio para ampliações e modernizações da área do Estádio, cartão postal da Copa de 2014 sediada pelo Brasil. A conversa resultou num vídeo riquíssimo, marcado por histórias e memórias desse povo que primeiro habitou as terras do país e que, ironicamente, deu nome a esta região da cidade, seu rio e seu Estádio.

Cabe refletir sobre os ônus dessa decisão judicial do Governo do Estado do Rio de Janeiro que, mais uma vez em função das “modernizações” promovidas em prol do evento mundial que sediará no próximo ano, parece se posicionar de forma impetuosa. Ainda neste sentido, pergunto-me se não estaria a cidade reproduzindo ações históricas de remoções / exclusões; ou se ações como estas são resquícios de um imperativo militarista recente, no qual o governo, tornando-se um estado de exceção (como teoriza o filósofo Giorgio Agamben [1]), age legitimamente contra os direitos humanos.

Se o referido Governo está tranquilizado em contemplar a causa indígena com o Museu do Índio localizado no bairro de Botafogo, cabe trazer nestas linhas as palavras de Daniel Puri:  “A diferença tá aqui. O que a gente já faz aqui é o trabalho da cultura viva. A cultura viva seria o quê? Seria os índios dançando, cantando, fazendo sua comida, mostrando sua língua. Não seria um museu onde você coloca objetos”.

A equipe do ctrl+alt+dança agradece à Aldeia Maracanã e todas as etnias indígenas lá representadas, em especial a Potira Cricati e Daniel Puri, que nos receberam cordialmente e se disponibilizaram a esta conversa que agora torna-se pública neste blog. Sugerimos que não deixem de assistir o vídeo na íntegra.

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