“Vida longa e boa viagem”: Fórum de Dança no Festival de Dança de Juiz de Fora (MG)

[Rui Moreira no Fórum de Dança do Festival / foto: Raíssa Ralola]

Desejando “vida longa e boa viagem” a todas as ideias e conversas estabelecidas na manhã de 3/jul (qua) – segundo momento do Fórum de Dança no contexto da 5a. edição do Festival Nacional de Dança de Juiz de Fora (MG) – o coreógrafo Rui Moreira (Câmara e Colegiado Setorial / MinC) encerrou sua participação no evento, remetendo-se à frase do crítico de dança mineiro Arnaldo Alvarenga. Bem, minha gente, parece mesmo que, no panorama brasileiro e também mundial de novos agenciamentos políticos (onde grande parcela das populações tem se unido para reivindicar), a cidade de Juiz de Fora passa por um momento novo de articulação na área da dança.

Sabemos que as relações entre dança e política não são recentes nesta cidade, já que em distintos períodos a classe enveredou por ações organizacionais (que duraram curtos períodos). No entanto, penso que destas ações (que, em termos macros, acabaram por se dispersar) é que deriva grande parcela do movimento de organização atual e, de modo significativo, reinicia-se ao mesmo tempo em que culmina na criação da Comissão de Dança de Juiz de Fora, em set/2012.

Essa Comissão – que, desde então, vem atuando de maneira cada vez mais efetiva na cidade (o presente Festival Nacional de Dança é fruto profícuo de uma parceria da FUNALFA com a Comissão) – nasce de uma demanda apontada pelo processo que vem sendo vivenciado (principalmente) pel@s artistas locais, pel@s fazedor@s da dança na cidade.

Nos dois dias de Fórum (2 e 3/jul), o Festival recebeu a fala “Ações de Fomento da FUNARTE”, de Fabiano Carneiro (coordenador de dança da instituição) (ver depoimento no final da postagem); além de “Novos e Melhores Rumos”, fala de Rui Moreira (representante da Câmara e Colegiado Setorial do Ministério da Cultura (MinC)) (ver trecho de conversa (em áudio) com o coreógrafo no final desta postagem). Foram dias com diferentes momentos, presenças e articulações.

A possibilidade de promover o encontro entre artistas e gestores locais já pareceu-me emblemática e fértil para provocar questões. Dentre muitos pontos, a classe trouxe questionamentos sobre ações de fomento aos processos artísticos locais, e parece ter chegado num consenso de que faz-se necessária uma política continuada de encontros d@s artistas da dança na cidade.

Abaixo, vocês podem conferir o documento de formação da Comissão de Dança de Juiz de Fora:

 

Aproveitando um fértil momento de articulação política na cidade, artistas da área da dança se reuniram em setembro de 2012 e criaram a “Comissão de Dança de Juiz de Fora”, um grupo de representação local dos interesses da classe.

Esta comissão surgiu dentro do Fórum de Artes Cênicas/Concult, motivada, inicialmente, por discussões a respeito do Festival Nacional de Dança, discussões estas que levaram a se acreditar na necessidade de pensar e discutir, difundir, refletir e questionar as políticas públicas para a dança no âmbito municipal. A criação desta comissão está registrada no Conselho Municipal de Cultura/Concult, via representação das artes cênicas.

Nas reuniões da Comissão se compartilham experiências, pontos de vista, contradições, e necessidades que os artistas da dança observam em seus fazeres diários.

A Comissão acredita que somente é possível se pensar a dança quando a classe inicia um movimento de busca para se organizar e exercer sua função social e política, entendendo política para além do exercício do poder ou do governo, mas como atividade que organiza as pessoas, os fazeres, as circulações e as maneiras de agir, articulando coletivos e criando representatividades.

Atual panorama:

Consideramos através de nossas vivências, observações e diálogos que o atual panorama da dança na cidade se encontra enfraquecido, carente de programas eficientes que tenham como foco a capacitação profissional, o intercâmbio artístico local e com outros contextos, a formação de público, a sobrevivência de grupos, companhias e artistas individuais que tenham escolhido a dança como sua profissão, o incentivo à pesquisa, entre outros.

Entendemos estas questões como dificuldades que ultrapassam as fronteiras do município, e que o fazer artístico fora do eixo de mercado comercial é ainda um movimento de resistência em todo o país. No entanto, acreditamos que o poder público, juntamente com a própria classe, pode e deve desenvolver ações que minimizem problemas que vem sendo enfrentados em Juiz de Fora em âmbitos solitários ou fechados em grupos restritos.

Sendo assim, a Comissão de Dança de Juiz de Fora é criada no sentido de desenvolver diálogos e ações junto ao poder público e à classe artística para que se inicie uma real política pública em prol da dança na cidade, colocando-se à disposição para que linhas de ação a curto, médio e longo prazo sejam delineadas.

Juiz de Fora, 28 de janeiro de 2013.

Assinam este documento os integrantes da Comissão de Dança de Juiz de Fora.

Alice Mayer; Carina Lima; Gabriele Generoso; Leticia Nabuco; Lilian Gil; Michele Netto; Sandra Emília; Sylvia Renhe; Valdir Alves.

 

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