[textos] A parceria com o Centro Cultural Virtual SeráQuê segue: entrevista com Rosa Antuña (MG)

A parceria entre o ctrl+alt+dança e o Centro Cultural Virtual SeráQuê (CCV) (MG) – programada como uma série de 3 postagens compartilhadas entre os dois espaços virtuais ao longo dos meses de maio, junho e julho/2013 – segue com a re-publicação da entrevista com a bailarina Rosa Antuña (MG). O CCV, por sua vez, re-publica a entrevista que a bailarina-coreógrafa Morena Paiva cedeu ao projeto Lugares e Danças em janeiro deste ano.

Confiram abaixo, o material cedido pelo CCV:

[Rosa Antuña em Nômade, com a Cia. Mário Nascimento / foto: Leo Drumond/Nitro]

Rosa Antuña é bailarina intérprete, coreógrafa e diretora. A formação no clássico começou cedo, aos seis anos, e durante a trajetória fez cursos no Brasil, em Cuba e na Alemanha. Dançou no Primeiro Ato, na Mimulus e no Balé da Cidade de São Paulo. Uma série de contusões a fez a se afastar da dança em alguns períodos – ainda assim não abandonou a carreira artística, fez canto, teatro, deu aulas. Até que começou a trabalhar com a Cia Mário Nascimento, com a qual já tinha dançado no espetáculo Escambo. Nessa nova fase, como professora, ensaiadora e assistente de direção e de coreografia, foi voltando a dançar em seu tempo e ritmo, e que desaguou em Faladores, premiado espetáculo da Cia e da bailarina. Atualmente, continua fazendo cursos de teatro esporadicamente, estuda canto, coreografa, ministra aulas de Arte-Integrada, e tem carreira solo – os espetáculos Mulher Selvagem, em que alia a dança ao teatro e é dirigido por ela mesma, e O Vestido, cuja pré-estreia acontecerá no Festival Internacional de Dança de Joinville, no Seminário de Dança, dia 22 de julho, às 15:00hs.

O Brasil possui um elenco talentoso de bailarinos experientes, que integram ou integraram companhias de dança em várias partes do país. O Centro Cultural Virtual abre espaço para que esses artistas possam contar suas trajetórias e como veem a dança. Ao longo do ano serão publicadas várias entrevistas com bailarinos e bailarinas de diferentes regiões. Rosa Antuña conversou com o Centro Cultural Virtual SeráQuê por email e fala sobre sua formação, revê sua trajetória, diz o que pensa sobre a dança, seus objetivos, seus projetos e muito mais.

É o que você confere aqui nesta entrevista exclusiva.

 

Quando aconteceu, pela primeira vez, seu interesse pela dança? 

Aos 6 anos, do nada, quando pedi à minha mãe pra eu voltar pro ballet (comecei aos 4 anos, mas achei que aquilo não era ballet e pedi pra sair. rsrs)

Fale um pouco sobre sua trajetória. 

Minha trajetória não foi fácil. Sempre cheia de altos e baixos. Mas sem dúvida, isso me fortaleceu.

Comecei  como bailarina clássica. Sempre tive muitas lesões. Praticamente passei a vida fazendo fisioterapia, paralelamente ao ballet.

Estudei no Centro Mineiro, em BH, de Maria Clara Salles, que considero minha primeira mestra. Estudei em Cuba, no Centro Pro Danza, e na Palucca Schule Dresden, na Alemanha.

Tive a sorte de ter tido grandes professores, como Mercedes Beltran, Laura Alonzo, Ofélia González, Graça Salles, Hans Tappendorff… Dancei muito repertório clássico, ganhei concursos…

Quando cheguei da Alemanha trabalhei no Grupo Primeiro ATO, depois voltei pro ballet clássico com Maria Clara… e em 2000 rompi o ligamento do joelho fazendo audição para o Grupo Corpo.

Foi quando tudo mudou. Foi muito difícil, pensei que não voltaria mais a dançar. Não fiz cirurgia. Tratei com Andrea Mourão, que me acompanha como fisioterapeuta desde que eu tinha 14 anos. Parei de dançar por um ano, dei aulas de ballet para crianças carentes, toquei maracatu, cantei côco, fui cuidar mais do meu espírito, meditar e tive muitos “anjos” que me ajudaram e continuam ajudando… e dali a um ano Jomar Mesquita me convidou para substituir Juliana Macedo (que havia saído por um período), sua parceira na Mimulus. Fui e foi ótimo. Fiquei um ano, dancei bastante, recuperei minha confiança e saí. Sou muito grata a Mimulus, por terem me colocado no palco de novo.

A dança contemporânea começou a me chamar e fiz minha primeira coreografia para o CEFAR (escola de dança do Palácio das Artes). Foi quando conheci Mário Nascimento (2003) que me convidou para seu projeto ESCAMBO, com Prêmio do Itaú Cultural. Foi ali o início de uma parceria de vida. Ele adaptou tudo o que eu precisava fazer em cena, pois eu tinha restrições por causa do joelho e da minha estrutura física que era bem frágil. E com isso, encontramos um caminho onde eu conseguia dançar.

E foi por causa de ESCAMBO que fui convidada, em 2005, para ir para o Balé da Cidade de São Paulo. A direção era de Mônica Mion, que foi maravilhosa! Fiz grandes amigos lá. Fiquei por um ano e meio, até machucar meu joelho de novo (numa aula de ballet…). Decidi voltar para BH e fazer a cirurgia. Eu sabia que minha recuperação seria complicada e por isso preferi pedir demissão.

Foram dois anos para me recuperar, fiquei muito deprimida (por 6 meses sonhava todas as noites que estava dançando). Foi um período escuro na minha vida. Por isso, para me manter sã, comecei a estudar pintura, canto e fiz dois períodos na faculdade de teatro UFMG (que foi enriquecedor para minha carreira). Também fui chamada para dirigir um grande trabalho no CEFAR – Para os Filhos da Terra, dos Filhos das Estrelas (com todos os alunos da dança: 120, desde 6 anos de idade até os formandos). Isso me manteve ocupada e produtiva. Coreografava sem poder mostrar nada. Aprendi a visualizar os movimentos sem precisar fazê-los. Aprendi a descobrir o movimento nos corpos dos bailarinos, como um escultor que enxerga a forma pronta num tronco de árvore.

Eu tinha certeza que não dançaria mais e já estava resignada. Era difícil conviver diariamente com bailarinos que dançavam livremente. Por um tempo isso me doía muito, mas fui aprendendo a ser útil como podia.

Então, trabalhando com a Cia. Mário Nascimento como professora, ensaiadora e assistente de direção e de coreografia, fui voltando a dançar bem devagar e no meu ritmo… até vir Faladores (agosto 2008).

Daí para frente foi uma nova fase artística. Foi ali que comecei a dançar realmente. E até hoje continuo fazendo cursos de teatro quando tenho tempo (com Yara de Novaes, Roberta Carreri…), estudo canto, coreografo, tenho minha carreira solo, dou aula de Arte-Integrada… e vejo que tudo o que me aconteceu fez parte do meu treinamento para que eu soubesse por que estar em cena. Para que eu descobrisse o valor de estar no palco. Para que eu sentisse uma verdadeira gratidão por ser artista e saber que a Arte permite a seus artistas vários caminhos. E Mário Nascimento foi meu grande parceiro e incentivador. Ele não me deixou desistir em vários momentos onde eu havia deixado de acreditar. A ele eu agradeço do fundo do meu coração e da minha alma.

 

Para continuar a leitura, clique aqui.

Um comentário sobre “[textos] A parceria com o Centro Cultural Virtual SeráQuê segue: entrevista com Rosa Antuña (MG)

E você? O que acha?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s