“Finita”: Denise Stutz estreia novo trabalho na edição 2013 do Festival Panorama (RJ)

[Denise Stutz / foto: Antonio Flor]

Amanhã (26/out) é dia de estreia em pleno Festival Panorama 2013: Denise Stutz apresenta seu novo solo, Finita, em sessão às 15h na Sala Eletroacústica da Cidade das Artes (RJ). Desenvolvido nos últimos dois anos, o trabalho teve como ponto de partida uma carta enviada pela mãe da artista. Com essa inspiração, Denise utilizou a arquitetura cênica do teatro para elaborar o conceito de perda e trabalhar os temas do envelhecimento e da ausência sob a perspectiva da dança.

Em e-mail enviado a amig@s, Denise convida às apresentações e compartilha algumas linhas escritas pela coreógrafa Marcela Levi. “(…) escrevi isso depois do seu ensaio e fiquei com vontade de partilhar contigo”, explica Marcela:

“a loja de discos que ficava entre a Sta. Clara e a Barata Ribeiro fechou”

essa foi a primeira frase que eu ouvi no ensaio “Finita”, peça de Denise Stutz a estrear em duas semanas no Festival Panorama.

Ouvi e pensei num elevador que cai no poço e você fica lá de cara pro buraco. Já nesse momento senti a presença da ausência gritando forte. Tava lá de cara, às vezes de costas, pra Denise, pr’uma sala pelada, e os fantasmas todos ali passando, dando zoom in e out na minha cara. Fantasmas visíveis, audíveis que apareciam e desapareciam. Dizem que loucos, atores e animais não têm direito ao ato de fala, não respondem por si… lembrei que sempre sublinho meus livros com lápis, pois sei que posso apagar. Outro dia, no ônibus, procurei o lápis e só tinha caneta, mas eu precisava sublinhar: “não, de caneta não dá, não vou poder apagar…”. Tinha que sublinhar e aí sublinhei com a linha mais leve que pude fazer, que saiu fina e trêmula por conta do sacolejo do ônibus e da relutância da minha mão e aí pensei na sublinhada forte feita de lápis, que pode ser apagada e pensei no teatro: lugar dos fantasmas, dos mundos construídos a lápis. mundos ousados, carregados de tinta forte (por)que vão desaparecer em breve. Mas vão ficar os fantasmas, aqueles passageiros que te assaltam em qualquer lugar, que são trêmulos, rápidos, que se vê, mas nunca se sabe por quanto tempo, e aí fiquei pensando que os fantasmas são escritos de caneta, ao contrário da gente que escreve forte a lápis, porque vai desaparecer… e aí quando desaparece, ninguém mais apaga.

Finita ainda ganha outra sessão no domingo (27/out), às 18h, também na Sala Eletroacústica. O trabalho possui classificação indicativa 14 anos e os ingressos custam R$20 (inteira) e R$10 (meia).

A Cidade das Artes fica na Avenida das Américas, 5.300 – Barra da Tijuca – Rio de Janeiro (RJ).

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