[textos] Raíssa Ralola representa a Comissão de Dança de Juiz de Fora (MG) em fórum local

[Ginásio da Faculdade de Educação Física e Desportos da UFJF /fonte: http://www.ufjf.br]

O texto que vocês podem conferir abaixo foi escrito por Raíssa Ralola (gerenciadora de conteúdo de ctrl+alt+dança), em virtude de sua participação como representante da Comissão de Dança de Juiz de Fora (MG) no Fórum Diálogos em Dança. O evento aconteceu na FAEFID – UFJF (Faculdade de Educação Física da Universidade Federal de Juiz de Fora) nos dias 27 e 28/dez/2013, e teve como pauta a criação de um curso de graduação em Dança.

Bom, aqui estou eu, para, de certo modo, representar os trabalhadores da Dança desta cidade. Eles, que pesquisam esta arte, vivenciam a mesma em seus corpos, forjando-a e, mais que isto, deixando-se forjar por ela. Nós, artistas – seja da Dança, da Música, do Cinema, ou da existência – como lenhadores empunhando um machado de dupla lâmina, lançamos nossa ferramenta junto à matéria, dando-lhe forma; ao passo que a mesma ferramenta, por nós empunhada, lança-se contra nós mesmos, forjando novos eus a cada golpe.

Há algumas semanas atrás, um colega, trabalhador da Dança aqui da cidade, me escreveu pelo Facebook perguntando se seria possível que este curso de graduação em Dança – que hoje é foco de reunião aqui – acontecesse sem a interferência e o atravessamento dos interesses de muitas pessoas. Nesse ínterim, me vi sem resposta… Seria possível? Será possível, minha gente? Realmente não sei.

Não há dúvida de que precisamos criar mecanismos de formação de profissionais da Dança em Juiz de Fora, num momento em que esta arte manifesta-se e projeta-se de forma contundente na cidade. Tendo-se em vista as dificuldades da política cultural no que tange à falta de fomento e à inexistência de um circuito mínimo, JF ainda produz dança timidamente. Tanto a possibilidade de uma graduação em Dança, inicialmente proposta pela professora Alice Mayer (FAEFID/UFJF), como a pós-graduação em Dança, Tecnologia e Intermídia, proposta pelo professor João Queiroz (IAD/UFJF), provêm dessa necessidade de crescimento. E são muito bem vindas!

Talvez seja importante perguntar por que ainda não temos um curso de graduação em Dança na cidade, já que nossa Universidade Federal é casa que abriga as artes: aqui estão presentes a Música, as Artes Visuais, o Cinema, a Moda. E, talvez, seja igualmente importante questionar por que a Dança estaria junto à Educação Física na FAEFID (Faculdade de Educação Física) e não no IAD (Instituto de Artes e Design). Por que a Dança não estaria ao lado de suas irmãs – as outras artes, ou musas, como eram chamadas na Antiguidade Clássica?

Na contemporaneidade, a Dança – musa pela qual nos reunimos aqui nestes dois dias – trabalhou por sua autonomia e pôde, após muito tempo, existir sem sua irmã, a musa da Música. Em contrapartida, provando-se autônoma, ampliou braços às suas beiras e pôs-se a criar interfaces: dança-teatro, videodança, performances, além de pesquisas em dança e cinema, dança e literatura, traduções intersemióticas de um campo para outro.

De que tipo de profissional precisamos? De gente que deseje encarnar a Dança, viver a Dança. Ser forjado por ela, senti-la percorrendo seu corpo, impregnada na sua materialidade. Por isso, não se trata somente de pensar onde vamos aplicá-la: no palco, na escola, nas ruas da cidade, na tela de um computador ou num jornal impresso como texto crítico. Isso me parece posterior, ainda que o órgão de ensino nos exija o enquadramento: licenciatura, bacharelado, bacharelado interdisciplinar…

O que sabemos é que precisamos de um curso que privilegie a vivência artística! Que forme gente com disponibilidade de vivenciar a arte, de ser movimentado por ela. E, em relação ao nosso mercado local, onde o circuito de dança quase inexiste – e no qual há demanda para o ensino na rede pública e na Fundação Municipal de Cultura – talvez a proposta seja pensar como Friedrich Schiller (autor de “A Educação Estética do Homem”), ou Hélio Oiticica, que cita o artista como um operador de sentidos. Talvez precisemos pensar que nós, artistas, somos – de modo peculiar – educadores, ampliadores estéticos dos homens. Portanto, gostaria de aproximar o artista do educador, pensando ambos com faces aproximadas.

Afinal, ao atuar em quaisquer das mídias artísticas, somos artistas, e também somos educadores!

Raíssa Ralola (em 27/dez/2013)

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