[textos] Pós-Graduação Lato Sensu em Dança, Intermidialidade e Tecnologia: Raíssa Ralola lança 4 perguntas sobre o novo curso da UFJF

4 PERGUNTAS SOBRE A PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM DANÇA, INTERMIDIALIDADE E TECNOLOGIA, por Raíssa Ralola 
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Perguntas lançadas a João Queiroz e Daniella Aguiar, idealizador@s do curso de especialização da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora).
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Raíssa Ralola: Por que “Dança, Intermidialidade e Tecnologia”? Quero dizer, por que pensar a dança em interface com outros processos de linguagens e também com a tecnologia?
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Daniella Aguiar: O foco do curso é exatamente a intermidialidade, ou seja, as diversas relações entre artes, mídias e tecnologias. Um espetáculo de dança é um fenômeno intermidiático em si mesmo; de maneira geral, é o resultado de um diálogo entre corpos em movimento, música, iluminação, figurino, cenografia, e, em muitos casos, vídeo e outros dispositivos eletrônicos. Além desta “natureza intermidiática” da dança, o curso prioriza as possibilidades criativas de relação entre as artes, e oferece espaço para conhecer e criar formas híbridas, cada vez mais na fronteira entre as artes e tecnologias. Acreditamos que é neste espaço que coisas interessantes e inovadoras acontecem. Um pesquisador, criador ou professor em dança, ou em outra área, interessado neste tipo de investigação, deve se beneficiar do diálogo travado com outras artes.
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RR: Vocês pensam que este tipo de contato que estão problematizando é uma “urgência” que reverbera do mundo contemporâneo ou trataria-se de algo atemporal, tendo-se em vista sistemas e articulações culturais do passado?
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João Queiroz: Sobre a relação entre as artes — trata-se de um fenômeno que não é recente. Mas ele tem desdobramentos muito particulares nos últimos anos, quando se aproveita da invenção de novas mídias e tecnologias. Agora, academicamente falando, estamos melhor “equipados” hoje para entender tudo isso. Há muito material de alta qualidade produzido em muitos centros de pesquisa, em todo o mundo. Veja… queria enfatizar algo: note que não se trata mais de imaginar ou supor que estamos falando de coisas (relações entre as artes & ambientes tecnológicos digitais, por exemplo) que devem ser melhor investigadas nos próximos anos, num futuro recente ou algo assim. Já estamos falando do passado! Então, de volta à sua pergunta, tem uma urgência tática importante este tipo de abordagem. É claro que qualquer um pode achar que é possível fazer música, poesia, cinema, dança………… ignorando as contribuições dos últimos 40 ou 50 anos. Há muitos que fazem. Então o curso tem também este caráter de exibir e analisar resultados que não podem ser ignorados por qualquer um interessado em arte-criativa. Isto é, interessado em certo tipo de desenvolvimento artístico que envolve alguma investigação e descoberta de novos processos de linguagem. Pra essa classe [que nao é a do artista-para-satisfação-insatisfação-pessoal] não tem cabimento “reinvenção de roda” alguma. Ele precisa saber o que foi feito, o que está sendo feito, o que é mais relevante, “como” e “por que” é relevante.
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RR: Na página do curso na internet, vê-se uma fotografia de Merce Cunningham logo no topo. Por que o coreógrafo pode ser capa imagética deste projeto de Especialização?
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DA: Merce Cunningham parece interessante para ilustrar o curso por dois motivos. Apesar de preocupado com a independência da dança, especialmente em relação à música, o coreógrafo sempre trabalhou com artistas de outras áreas, especialmente música (John Cage, que também aparece na foto, David Tudor, Andrew Culver, Gavin Bryars) e artes visuais (Robert Rauschenberg, Jasper Johns, Andy Warhol). Mesmo depois de obter grande reconhecimento, quando muitos artistas param de explorar novos processos, Cunningham nunca parou de experimentar novos métodos e novas tecnologias. Ele é pioneiro na relação da dança com o vídeo e no uso de softwares para criação. Cunningham é, neste sentido, um exemplo excelente daquilo que o curso oferece: diálogo entre as artes e as tecnologias e, mais importante, uma certa inquietação para continuar experimentando em direção àquilo que ainda não é conhecido.
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RR: Falem um pouco sobre o público ao qual se destina esse projeto. Que tipo de alunos desejam ter?
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JQ: É difícil delimitar com precisão um “público” pra este tipo de curso, cujo foco são certas fronteiras, mal definidas entre disciplinas ortodoxas. Músicos, vídeo-artistas, arquitetos, dançarinos e coreógrafos parecem constituir nosso público primário. Mas não deve estar restrito a estes. O curso está muito interessado no uso e na incorporação de novas tecnologias e artefatos digitais. Então podemos ter, entre os interessados, engenheiros e programadores-artistas, por exemplo. Enfim, não é possível falar de um público específico a que se destina, em termos disciplinares. O público é aquele sujeito com um interesse real por ambientes de investigação em artes! É interessante também mencionar que o curso está projetado para estimular a produção individual de alunos e professores, sempre em conexão com tópicos & problemas “reais e correntes”. Então esperamos selecionar um tipo de aluno realmente pró-ativo, mais interessado em desenvolver projetos colaborativos do que em aprender passivamente.

Vale ressaltar que as inscrições do curso estão abertas até o fim desta semana, 28/fev (sex). Informações podem ser obtidas no site http://ufjf.br/danca_intermidialidade, no perfil do curso no Facebook, ou pelo e-mail danca.intermidialidade@gmail.com.

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