“Sob o meu, o nosso peso”: novo trabalho de Zélia Monteiro lida com memórias da Vila Maria Zélia (SP)

[Zélia Monteiro em Sob o meu, o nosso peso / foto: Hernandes de Oliveira]

Num diálogo com vídeo, instalação sonora e arquitetura, a bailarina Zélia Monteiro ocupa (a partir de hoje) as ruínas do que um dia foi a Escola de Meninas da Vila Maria Zélia, a primeira vila operária de São Paulo. Em Sob o meu, o nosso peso (ver foto acima), Zélia cria pela primeira vez um trabalho não destinado ao palco.

Conforme a artista explica:

Esse tem sido um grande desafio para mim. Durante toda a minha carreira, fiz espetáculos em que estava num palco e que a narrativa, mesmo que não fosse nada linear, ficava em grande parte em minhas mãos. Nesse processo, estou aprendendo a interagir com elementos como vídeo e arquitetura, deixando o público construir sua própria trajetória. A dança se desloca do eixo central do espetáculo e o olhar do público está descentralizado, abrangendo todo o ambiente da cena. O espectador fica livre para circular pelo espaço.

Com preparação corporal desenvolvida com o auxílio de Toshi Tanaka, o tema central da pesquisa empreendida pela artista para Sob o meu, o nosso peso, é a memória. Zélia recebeu seu nome para homenagear a tia-avó, Maria Zélia – filha primogênita do empresário Jorge Street, um dos fundadores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), que nomeou a vila operária localizada na Zona Leste da cidade. Sua tia-avó faleceu de tuberculose aos 16 anos de idade.

O trabalho, que recupera imagens de família e da vila por meio de projeções e depoimentos (em áudio) de pessoas que possuem alguma ligação com o local, foi contemplado pelo Programa de Fomento à Dança da Cidade de São Paulo. “A catalogação nos ajuda a recuperar e manter essa história de um lugar marcante para a cidade e também para a minha família (…) Trabalhar com memória no país é um caminho cheio de obstáculos. Muita coisa se perde ou fica inacessível. Isso acabou me levando a misturar muita imagem antiga com coisas mais recentes, fazendo um paralelo entre o passado e o presente”, conta Zélia. Além das apresentações do trabalho, o projeto ainda engloba atividades culturais com a comunidade local, fortalecendo ou criando vínculos de pertencimento.

Para quem desejar conferir Sob o meu, o nosso peso, as sessões acontecerão sempre aos sábados, às 19h e 20h, com entrada franca e classificação indicativa livre, na Escola de Meninas. A temporada se estende até 15/nov e os ingressos devem ser retirados com uma hora de antecedência de cada sessão. Uma dica importante: em caso de chuva, a apresentação será cancelada e transferida para o domingo.

A Escola de Meninas fica na Rua Mario Costa, 13 – Belenzinho – São Paulo (SP). Para mais informações, ligue para (11) 9 8484-5516.

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