Encontros inusitados a dois: André Bern compartilha experimentos desenvolvidos na Austrália em oficinas no Rio de Janeiro

[Cada castanha indicava um experimento a ser realizado com André Bern em performance de encerramento de residência / foto: Heidrun Löhr]

Desenvolver partituras performáticas para (re-)encontrar alguém: este é o ponto de partida da oficina Correspondanças, conduzida por André Bern como desdobramento do período de residência artística no centro coreográfico australiano Critical Path (out-nov/2014) (Prêmio FUNARTE Klauss Vianna de Dança 2013). Na sequência de exercícios de concentração e integração com o ambiente, André compartilhará experimentos e ferramentas para encontros inusitados a dois – em espaços fechados, ao ar livre ou pela internet. A primeira oficina (de uma série de 4) acontecerá no Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro.

De movimentos guiados pelo vento com os olhos fechados a visitas silenciosas a casas de estranhos, o artista propõe “microdanças” que emergem a partir de cada encontro. A oficina Correspondanças é dirigida ao público adulto, interessado em experimentos sensíveis a partir do contato com os diferentes espaços por onde transitamos e as pessoas com quem podemos nos encontrar e interagir de forma criativa.

Conforme André explica, o cerne de todo o período de residência artística foi uma série de trocas, tanto com artistas locais como com a própria cidade de Sydney: “Os amplos espaços públicos me inspiraram a fazer registros (em vídeo) de bailarin@s em encontros sensoriais com o vento (improvisando danças de olhos fechados), por exemplo”. Abaixo, vocês podem conferir o registro de um encontro entre André e a bailarina Maya Gavish:

 

O intercâmbio com as/os artistas locais se deu, basicamente, de 3 maneiras: através de encontros presenciais que, na maioria das vezes, tinham um tom de compartilhamento de vivências e interesses criativos; visitas a centros de arte, e consequentes entrevistas com artistas e gestor@s culturais; além da troca de e-mails para desenvolvimento de ideias por esta via eletrônica. Neste último caso, André realizou um “bate-volta” de propostas de experimentos performáticos com a artista Yana Taylor – com quem, a propósito, nunca chegou a se encontrar pessoalmente.

[André Bern e a bailarina Anna Kuroda / foto: Heidrun Löhr]

A decisão de encerrar o período de residência com uma mostra de resultados em formato de performance pareceu apropriada ao artista. Nela, André propôs um experimento de encontro individual com cada pessoa presente naquela noite (ver foto no início desta postagem): “Danças ‘de rostinho colado’ enquanto ouvia confidências do público eram apenas uma das opções do ‘menu’ que organizei (ver foto acima). Uma outra opção envolvia me apresentar a alguém, que estava conhecendo naquela mesma noite, a partir dos objetos que carregava em minha mochila – em silêncio”.

No retorno ao Brasil, as oficinas que André ministrará (a começar pelo Centro Coreográfico) funcionarão como uma oportunidade de compartilhar experiências com as/os participantes, sejam el@s artistas ou não:

Será uma espécie de epílogo da própria residência, durante o qual seguirei desenvolvendo outros experimentos e promovendo novos encontros de caráter individual. Acredito que toda uma infinidade de materiais colhidos durante o mês que passei em Sydney tomará a forma de um próximo trabalho. Certamente continuarei investindo numa aproximação mais direta com o público – instigando ‘microdanças’ que podem ser assistidas/executadas naquele momento do encontro ou simplesmente acontecer em sua mente, por efeito de sua imaginação.

Quem ficou interessad@ em participar da oficina que André conduzirá no Centro Coreográfico (ver flyer acima) deve se inscrever online até às 18h do dia 8 (seg) (clique aqui para acessar a página de inscrição). A atividade é gratuita e acontecerá nos dias 13 e 14/dez (sáb e dom, 10h às 16h) – a oficina não é dirigida apenas a bailarin@s.

Para saber mais sobre o projeto Correspondanças, visite: http://correspondancas.net. O Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro fica na Rua José Higino, 115 – Tijuca (metrô Uruguai) – Rio de Janeiro (RJ).

Sobre André Bern: artista-pesquisador e blogueiro cultural. Bacharel em Dança (UFRJ) e mestre em Artes (UERJ), com formação em design gráfico, atua relacionando campos artísticos, produzindo trabalhos que transitam entre dança contemporânea e performance, videoarte e programação visual. André é editor do blog ctrl+alt+dança (http://ctrlaltdanca.com).

4 comentários sobre “Encontros inusitados a dois: André Bern compartilha experimentos desenvolvidos na Austrália em oficinas no Rio de Janeiro

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