Trabalhos de Tuca Pinheiro e Ballet Stagium agitam o final de semana em São Paulo

[Tuca Pinheiro apresenta o solo Hyenna no SESC Belenzinho (SP) / foto: Adriana Moura]

Bailarino-coreógrafo mineiro que completa 35 anos de carreira em 2015, Tuca Pinheiro apresenta seu novo solo, intitulado Hyenna – não deforma, não tem cheiro, não solta as tiras (ver foto acima), em São Paulo. As sessões acontecerão neste final de semana (27 a 29/mar) no SESC Belenzinho.

Hyenna aborda questões de poder, tratando sobre as relações de submissão do “Novo Mundo” ao “Velho Continente”, tendo como inspiração o livro “O que resta de Auschwitz – o arquivo e a testemunha (Homo Sacer, III)”, do filósofo italiano Giorgio Agamben, além da carta do descobrimento do Brasil, de Pero Vaz de Caminha. O espetáculo questiona o pensamento estético imposto à dança pela tradição européia, seus desdobramentos, conflitos e consequências, trazendo à tona a reflexão sobre a criação e legitimação do trabalho em dança, assim como a formação de toda uma geração de criador@s e intérpretes. “Esses parâmetros legitimam um modelo de dança de qualidade asséptica, eugenista e adaptada às demandas de um mercado específico que tem o propósito de estabelecer condutas desejáveis em seu público”, ressalta o coreógrafo.

Tuca deu início a essa pesquisa quando estava na Suíça, e visitou os campos de extermínio de Auschwitz I e Auschwitz II (Birkenau), na Polônia. Assim, acabou se deparando com suas próprias memórias em sua trajetória de criação na dança, passando pelo balé clássico ao trânsito constante na cena contemporânea, como bailarino e coreógrafo. Questões como “Somos réplicas de um processo neocolonialista que se perpetua desde a corte francesa?” e “Esta dança ainda não deformou? Não fedeu? Não soltou as tiras?” o guiaram na concepção do trabalho, em analogia ao título que tem a hiena como símbolo sintético – que transita entre o riso e o resto.

Hyenna – não deforma, não tem cheiro, não solta as tiras estreou em 2013, por meio de uma coprodução com o 18º FID – Fórum Internacional de Dança, em Belo Horizonte (MG). No SESC Belenzinho, o solo ganha sessões nesta sexta e sábado (às 20h), e no domingo (às 17h), com ingressos a R$20 (inteira), R$10 (meia-entrada) e R$6 (associad@s SESC), e classificação indicativa 18 anos.

O SESC Belenzinho fica na Rua Padre Adelino, 1.000 – Belém – São Paulo (SP).

[Ballet Stagium em Figuras e Vozes / foto: Arnaldo J. G. Torres]

Em atividade há 44 anos, o Ballet Stagium – uma das mais longevas companhias de dança do Brasil – apresenta o espetáculo Figuras e Vozes (ver foto acima) no Teatro Sérgio Cardoso (SP). Com sessões de 27 a 29/mar (sex a dom), o trabalho representa uma empreitada de investigação do movimento dadaísta num momento em que a companhia conta com o suporte do programa O Boticário na Dança.

“A pesquisa do Stagium caminhou pelos conflitos da primeira grande guerra mundial, quando o Dadaísmo surgiu com a clara intenção de destruir todos os sistemas e códigos estabelecidos no mundo. Como ideologia, o dadaísmo agregava forte conteúdo anárquico, opondo-se a qualquer tipo de equilíbrio e racionalidade. Nesse sentido, a criação artística da época também adentrava em um novo olhar, que obrigava o espectador a mudar o ângulo de visão”, explica o texto de divulgação do espetáculo. Em Figuras e Vozes, a companhia propõe o aleatório e o acaso como provocações num mundo totalmente institucionalizado e movido pela rapidez das informações.

Para Décio Otero, idealizador do Ballet Stagium, criar uma companhia independente em 1971 foi um ato de heroísmo no Brasil – Figuras e Vozes reverbera essa energia: “Hoje, nesse trabalho, tratando da filosofia do Dadaísmo, nos transportamos para o início do grupo, quando do nada criamos uma companhia atuante, consistente e referencial (…) acreditamos que a nossa opção de vida atua de alguma forma na sociedade em que estamos inseridos, daí a nossa insistência”.

Com sessões nesta sexta e sábado (às 21h) e no domingo (às 18h), Figuras e Vozes possui ingressos a R$20 (inteira) e R$10 (meia-entrada), com classificação indicativa livre. O Teatro Sérgio Cardoso fica na Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista – São Paulo (SP).

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