Dança para incluir na programação do final de semana: Juliana Moraes, Adriana Barcellos e Gladis Tridapalli & Ronie Rodrigues apresentam espetáculos

[Juliana Moraes / foto: Cris Lyra]

Hoje é dia de estreia em São Paulo: de volta aos palcos após um hiato de sete anos, a bailarina Juliana Moraes (ver foto acima) apresenta o solo Desmonte no SESC Belenzinho (às 20h30). Criado como resposta a uma experiência pessoal angustiante – o parceiro da artista e co-diretor do espetáculo Gustavo Sol enfrentou uma doença grave – Desmonte segue em cartaz até domingo (19/abr).

A doença de Gustavo foi diagnosticada em 2013, época em que Juliana já pretendia voltar a trabalhar sozinha. Conforme ela mesma explica, “O espetáculo fala do desmonte físico e psíquico que estava vivendo naquele momento, dos traumas e medos”.

Durante o período difícil, a artista levava aos ensaios “O Diário de Nijinsky”, depoimento escrito pelo bailarino em 1919, nas semanas que precederam sua internação num hospital psiquiátrico (de onde nunca mais sairia). Inicialmente escrito em prosa articulada, aos poucos as palavras do diário se desmontam em onomatopeias, repetições silábicas e fluxos de pensamento sem nexo aparente. Juliana relata que:

Comecei a ler e gravar esses poemas, além de escrever textos próprios e de registrar pessoas falando na televisão, nas ruas e em vários outros locais. Os sons derivados das falas gravadas foram o estímulo para a criação de uma movimentação acelerada e fragmentada com a regra de que tudo que eu escutava tinha que mexer. São muitos gestos a habitar o mesmo corpo que, aos poucos, vai entrando em curto-circuito.

Com classificação indicativa 12 anos e ingressos a R$20 (inteira), R$10 (meia-entrada) e R$6 (associad@s SESC), Desmonte ganha sessões às 20h30 (hoje e amanhã) e 17h30 (domingo) na Sala de Espetáculos II. O SESC Belenzinho fica na Rua Padre Adelino, 1.000 – Belenzinho (metrô Belém) – São Paulo (SP).

[Adriana Barcellos em Biurá – Contas de Sonhos / foto: Aline Teixeira]

Adriana Barcellos – uma de noss@s Blogueir@s Convidad@s no contexto do projeto Dança Carioca na Rede: Ações de Expansão – apresentará Biurá – Contas de Sonhos em duas sessões no Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro. As apresentações do trabalho acontecerão amanhã e domingo (18 e 19/abr), com ingressos a R$10 (inteira) e R$5 (meia-entrada).

A performance é o resultado artístico da pesquisa de mestrado em Artes na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), onde a artista contou com a orientação da professora Elizabeth Zimmerman. Durante o curso, Adriana dedicou-se a pesquisar a relação entre o processo criativo de composição coreográfica e a Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung.

Como metodologia, fez anotações sobre o conteúdo de seus sonhos durante dois anos, em diários que serviram como matéria de criação para a investigação prática de movimentos. Em Biurá, Adriana dá concretude ao universo imaterial onírico, trazendo ao espaço cênico a forma simbólica de suas imagens inconscientes. Conforme ela nos conta:

Cada indivíduo é um universo de sonhos que são mais que imagens que se desenrolam durante o sono. A experiência de sonhar é dividida por todos os homens, surgindo às vezes como uma experiência real e avassaladora, transbordando do individual para o coletivo, em imagens, emoções e significações.

Além disso, Adriana elabora, em forma de diário de bordo, reflexões referentes ao processo criativo que podem ser encontradas no blog http://aquiloquenosmove.blogspot.com. As sessões de Biurá acontecerão às 19h (sáb) e 17h (dom) no Loft do Centro Coreográfico, com classificação indicativa 12 anos.

O Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro fica na Rua José Higino, 115 – Tijuca (metrô Uruguai) – Rio de Janeiro (RJ).

[Gladis Tridapalli e Ronie Rodrigues em Cachaça sem Rótulo / foto: Elenize Dezgeniski]

Depois de uma curta temporada em Curitiba (PR), Cachaça sem Rótulo volta à capital para duas apresentações do Teatro Cine Glóriah. Concebido por Gladis Tridapalli e Ronie Rodrigues, o trabalho ganha sessões amanhã e domingo (18 e 19/abr).

Conforme explica a dupla de artistas, Cachaça sem Rótulo emerge como tentativa de continuar dançando em um contexto tão adverso:

É uma tentativa bem humorada e engajada. Engajamento esse físico, sensorial e presente em cada escolha estética e política do trabalho. Cachaça sem Rótulo dá continuidade à pesquisa do coletivo Entretantas Conexão e novamente problematiza a relação entre público e obra, e de maneira aberta e corajosa coloca o próprio artista e obra em xeque. Com tom ácido e irreverente escancara o estado de exposição em que os dançarinos se colocam em cena, e também convida plateia e três convidados para elaborarem a construção dramatúrgica da obra.

Em 16/out/2013, André Masseno compartilhou impressões sobre o trabalho em texto publicado em ctrl+alt+dança sob o título “Bebendo até inchar”:

O estado perturbador e ao mesmo tempo irônico de seus corpos faz contraponto ao gesto convidativo e informal de dar de comer e beber ao seu público. Mas afinal, no contexto atual em que se encontra a cultura no Brasil (e principalmente as políticas públicas para a dança), o que o artista pode continuar “oferecendo”? Como e quando continuar dançando?

Com classificação indicativa 18 anos e ingressos a R$10 (inteira) e R$5 (meia-entrada), Cachaça sem Rótulo acontece em sessões às 20h. O Teatro Cine Glóriah fica na Praça Tiradentes, 106 – Galeria Pinheiro Lima – Centro – Curitiba (PR).

 

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