Dança em toda parte: espetáculos e performances em 4 cidades brasileiras

Cia. Carne Agonizante / foto: FK

Cia. Carne Agonizante / foto: FK

Dirigida por Sandro Borelli, a Cia. Carne Agonizante (ver foto acima) apresenta dois espetáculos de seu repertório ao longo deste mês de julho na cidade de São PauloEstado Independente e O Canto Preso são obras de intenso vigor físico, cuja inspiração vem de motes políticos e sociais. Em cartaz no Kasulo Espaço de Arte e Cultura com entrada franca, ambos os trabalhos possuem classificação indicativa 16 anos.

Em Estado Independente, a companhia se inspirou em Che Guevara e sua revolução política e poética, realizada em Cuba nas décadas de 1950 e 1960. A partir da figura lendária de Che como um guerrilheiro “cidadão do mundo”, @s bailarin@s exploram intensidades numa luta contra as injustiças sociais, “contra a miséria material e espiritual”.

O Canto Preso é uma adaptação coreográfica do texto teatral “Bent”, de Martin Sherman, que aborda temas como nazismo e preconceito. A narrativa versa sobre um homem que, perseguido e preso nos campos de concentração por sua homossexualidade, se faz passar por judeu para amenizar sua tortura. No decorrer do acontecimento, ele se apaixona por outro homem, que se torna seu amigo e amante. O espetáculo é contextualizado nos dias atuais, propondo reflexões sobre territórios e fronteiras.

Estado Independente ganha sessões de hoje a 12/jul, enquanto O Canto Preso fica em cartaz de 16 a 26 deste mês. Os dias e horários, em ambos os casos, são quinta a sábado (às 21h), e domingos (às 19h).

O Kazulo Espaço de Arte e Cultura fica na Rua Sousa Lima, 300 – Barra Funda – São Paulo (SP).

Key Zetta e Cia. em “Sim” / foto: Inês Correa

Também em São Paulo, a Key Zetta e Cia. estreia SIM (ver foto acima), espetáculo baseado no aforismo “276 – Para o Ano Novo”, do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. O trabalho pode ser conferido, com entrada franca, de hoje a 12/jul, na Galeria Olido (Sala Paissandu).

Depois de Propulsão: o que faz viver – sem título (2012) e Propulsão: o que faz viver – seguinte (2013) (Prêmio APCA 2013 – Associação Paulista de Críticos de Arte), SIM completa a trilogia propondo uma dança sem reflexão, um corpo que adentra a duração do tempo, celebrando os encontros, os acasos, os acontecimentos. Além de Nietzsche, o trabalho agrega a potência e interferência de encontros com o dançarino japonês radicado em Nova York Kota Yamazaki, a filosofia de Henri Bergson, e a mediação de Luiz Fuganti, da Escola Nômade de Filosofia.

Conforme relata Ricardo Iazetta, co-diretor da companhia em parceria com Key Sawao desde 1996:

Com Yamazaki, foi possível experimentar no corpo o fluxo de movimento (fluid body), onde as mudanças dos corpos acontecem no próprio fluxo. No diálogo com Fuganti apareceu o conceito do “corpo como extensão do movimento”,  que escolhemos como ponto de partida e verticalização de nossas investigações neste período de pesquisa.

SIM marca uma mudança de ciclo de pesquisa da companhia, conferindo força e foco à fisicalidade, aos encontros e à potência da linguagem impulsionada pelo movimento. Em cena estão @s bailarin@s e criador@s Beatriz Sano, Carolina Minozzi e Mauricio Florez, além da dupla Key Sawao e Ricardo Iazzetta.

Key explica que, ao longo dos diálogos e práticas para a concepção de SIM, “pensamentos em movimento” tomaram forma, desencadeando-se na criação de novas sínteses, parâmetros e paisagens corporais investigadas no pensamento e no próprio corpo. “(…) sentidos de duração, espreita, latência, intensidade, extração das contradições como um modo de dizer sim ou aceitar o espaço e a própria criação de síntese produtoras de corpo”, aprofunda a artista.

Dessa maneira, SIM deseja, através de suas linhas, impulsos, artifícios, intensidades e atravessamentos, coincidir com seu próprio acontecimento. Confira abaixo o aforismo de Friedrich Nietzsche (Gaia Ciência – 1882/87):

Para o Ano-Novo – Eu ainda vivo, eu ainda penso: ainda tenho de viver, pois ainda tenho de pensar. Sum, ergo cogito: cogito, ergo sum [Eu sou, portanto penso: eu penso, portanto sou]. Hoje, cada um se permite expressar o seu mais caro desejo e pensamento: também eu, então, quero dizer o que desejo para mim mesmo e que pensamento, este ano, me veio primeiramente ao coração – que pensamento deverá ser para mim razão, garantia e doçura de toda a vida que me resta! Quero cada vez mais aprender a ver como belo aquilo que é necessário nas coisas: – assim me tornarei um daqueles que fazem belas as coisas. Amor fati [amor ao destino]: seja este, doravante, o meu amor! Não quero fazer guerra ao que é feio. Não quero acusar, não quero nem mesmo acusar os acusadores. Que a minha única negação seja desviar o olhar! E, tudo somado e em suma: quero ser, algum dia, apenas alguém que diz Sim!

O espetáculo possui sessões de quinta a sábado (às 20h), e aos domingos (às 19h), com classificação indicativa livre. A Galeria Olido fica na Avenida São João, 473 – República – São Paulo (SP).

Luan Machado e Dan Venturi em "ISLA BONITA" / foto: Valdecir Rosa

Luan Machado e Dan Venturi em “ISLA BONITA” / foto: Valdecir Rosa

“Dois seres transgêneros vivem em uma ilha em busca de liberdade e poder. A música os levará à incorporação de entidades ocultas. Tudo é selvagem e livre”: eis a sinopse de ISLA BONITA (ver foto acima), espetáculo dos atores curitibanos Luan Machado e Dan Venturi, cuja dramaturgia é sustentada a partir de letras de músicas da cantora Madonna, além de citações religiosas e confissões dos próprios criadores. O trabalho ganha 2 sessões na boate Cave, no Rio de Janeiro: nos dias 9 e 24/jul (qui e sex), sempre às 22h30.

ISLA BONITA foi desenvolvido entre 2011 e 2013, a partir de uma troca de e-mails entre Luan e Dan. Desde então, foram produzidos ensaios fotográficos, videoclipes, performances – todos com enfoque na realização de releituras de trabalhos de Madonna. Confira abaixo o registro de uma dessas performances, intitulada Two Souls (“Duas Almas”, em tradução livre):

 

O título do espetáculo que estreia na boate Cave faz referência à canção de 1987, “La Isla Bonita”, na qual a cantora retrata uma ilha paradisíaca. Em 2013, Madonna lançou um curta-metragem, “Secret Project”, criado em parceria com o fotógrafo Steven Klein. O filme foi exibido em diversas cidades do mundo; no Rio de Janeiro, ganhou sessão no Complexo do Alemão, quando Luan e Dan aproveitaram para fazer uma performance do projeto ISLA BONITA em meio ao movimento gerado pelo evento. Em novembro do mesmo ano, Madonna postava em seu perfil no Instagram um vídeo de 15 segundos, no qual Luan aparecia performando no contexto da exibição de “Secret Project”.

As sessões de ISLA BONITA na boate Cave possuem ingressos a R$30 (inteira) e R$15 (meia-entrada). Além delas, o projeto ganha uma temporada curtíssima em Curitiba (PR), nos dias 17, 18 e 19/jul. Para acompanhar e se informar sobre os movimentos de Luan e Dan, visite a página de ISLA BONITA no Facebook.

A boate Cave fica na Rua Francisco Otaviano, 20 – Copacabana – Rio de Janeiro (RJ).

Cia. Híbrida em “Moto Sensível” / foto: Alescha Birkenholz

Por sua vez, a carioca Cia. Híbrida, liderada pelo coreógrafo Renato Cruz, inicia circulação nacional de Moto Sensível (ver foto acima)A primeira parada acontece na cidade de Porto Alegre (RS), com apresentações gratuitas amanhã e sábado (3 e 4/jul, respectivamente às 15h e 20h) no contexto do festival Dançapontocom.

Criado colaborativamente com as/os intérpretes da companhia, Moto Sensível mescla impressões e histórias do próprio elenco às composições de movimento, e constitui a segunda parte de um trilogia de espetáculos desenvolvidos a partir do tema “hip hop e fragilidade”. O trabalho propõe “uma lente de aumento direcionada ao dançarino de rua”, à força e energia de um corpo vigoroso e sem limites, conforme aponta o texto de divulgação.

Com classificação indicativa 16 anos, as sessões de Moto Sensível acontecerão no Teatro Renascença, localizado na Avenida Erico Veríssimo, 307 – Menino Deus – Porto Alegre (RS). No dia 4, a Cia. Híbrida ainda ministrará uma oficina no mesmo local, às 10h.

Focus Cia. de Dança em “As Canções Que Você Dançou Pra Mim” / foto: divulgação

Com patrocínio da PETROBRAS, a também carioca Focus Cia. de Dança inicia uma série de apresentações gratuitas de As Canções Que Você Dançou Pra Mim (ver foto acima) no Circuito São Paulo de Cultura. A partir de amanhã (3/jul), a companhia circulará pelos teatros municipais João Caetano, Flávio Império, Alfredo Mesquita e Martins Penna até o final do mês.

Prestes a completar 200 apresentações em cidades brasileiras e em países como Estados Unidos e Portugal, As Canções Que Você Dançou Pra Mim foi eleito como um dos melhores espetáculos de dança em 2011 pelo jornal O Globo, e em 2012 pela Folha de São Paulo. O trabalho, cuja trilha sonora compõe-se de um apanhado de diversos sucessos do cantor Roberto Carlos, surgiu de brincadeiras do elenco durante suas viagens, conforme explica o coreógrafo Alex Neoral: “(…) cantavam músicas do rei em que um ia interrompendo o outro com outra música, a partir de uma palavra comum. Uma canção vai puxando a da sequência, formando uma grande história. É como se uma música perguntasse e a outra respondesse”.

Entrevistada por André Bern (editor de ctrl+alt+dança) para a série Voz da Dança (ação vinculada ao projeto Dança Carioca na Rede, desenvolvido por este blog em 2014, com recursos do Programa de Fomento à Cultura Carioca (Secretaria Municipal de Cultura / Prefeitura do Rio)), a bailarina Clarice Silva, que integra a Focus Cia. de Dança desde sua criação em 1997, conta sobre a cena mais emblemática de As Canções Que Você Dançou Pra Mim, aquela em que ela e o bailarino Marcio Jahú dançam em meio a um longo beijo:

No duo, eu lembro que tive uma resistência inicial, se era assumidamente romântico, se era possível ter aquela condição pra criação, de duas bocas que não podem se separar. “É um casal? Eu amo essa pessoa?” Depois, com as músicas do Roberto Carlos, isso fica assumido.  E foi uma liberação… [clique aqui para conferir a entrevista na íntegra]

Em cena, além de Clarice, Marcio e o próprio Alex, estão Carol Pires, Cosme Gregory, Felipe Padilha, Gabriela Leite e Monica Burity. De amanhã a domingo (sexta e sábado, às 20h; e domingo, às 19h), As Canções Que Você Dançou Pra Mim ganha sessões no Teatro Flávio Império (Rua Professor Alves Pedroso, 600 – Cangaíba). Na semana seguinte, 10 a 12/jul (sexta e sábado, às 21h; e domingo, às 19h), o espetáculo estará em cartaz no Teatro João Caetano (Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino). Nos dias 18 e 19 (sábado e domingo, às 19h), As Canções segue para o Teatro Martins Penna, no Centro Cultural da Penha (Largo do Rosário, 20 – Penha). Finalmente, nos dias 24, 25 e 26 (sexta e sábado, às 21h; e domingo, às 19h), as últimas sessões da circulação em São Paulo acontecerão no Teatro Alfredo Mesquita (Avenida Santos Dumont, 1.770 – Santana).

Uma dica: as/os interessad@s em conferir qualquer uma das sessões devem retirar sua senha com uma hora de antecedência de cada apresentação.

 

[*] esta postagem contou com o suporte de Gabriela Alcofra.

 

 

 

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