Corpo Palavra

ENCONTROS ANTERIORES

1/fev/2014, com Bethi Albano e Karol Schittini

14/dez/2013, com Ondjaki e Thiago Amud

26/out/2013, com Aline Guimarães e Heyk Pimenta

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14/set/2013, com Esther Weitzman e Julio Dain

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17/ago/2013, com Glaucus Noia e Mariana Patricio

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6/jul/2013, com Flávia Muniz e Jiddu Saldanha

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Série de Encontros Corpo Palavra

Um projeto de a l i n e b e r n a r d i 

Em colaboração com túlio rosa

Parceir@s: Felipe Moulin (arte) / Eliane Carvalho (Studio Gesto) / André Bern (ctrl+alt+dança)

P o E m e – s e ! abra seu corpo para a palavra que nele nasce e permita que as palavras ganhem novos sentidos no seu corpo!

A proposta da Série de Encontros Corpo Palavra é promover ambientes de conversas com artistas que em seus processos de criação têm viva a relação entre o corpo e a palavra: que tipo de Corpo se cria da Palavra? Que sentido nasce dessa relação Corpo-Palavra? Como inaugurar novos sentidos?

A Série de Encontros Corpo Palavra foi desenvolvida por Aline Bernardi como metodologia de pesquisa para a monografia “As relações entre o corpo e a palavra nos processos artísticos”, projeto final do curso de Licenciatura em Dança da Faculdade Angel Vianna (RJ). A primeira série foi realizada na própria Faculdade durante o ano de 2012; a segunda aconteceu no Studio Gesto em 2013 e 2014 .

O ctrl+alt+dança hospeda o conteúdo gerado pela nova série, e todas as notícias poderão ser acompanhadas por aqui, pela página do Facebook (facebook.com/EncontrosCorpoPalavra) ou através do site da artista realizadora (www.alinebernardi.com). Para maiores informações (ou para contratar o projeto em algum evento), favor entrar em contato pelo e-mail contato.alinebernardi@gmail.com.

Da mesma maneira que o trânsito entre corpo e palavra atravessa constantemente o processo criativo da artista, Aline (em colaboração com Túlio Rosa) busca saber de que forma essas travessias se dão em outros processos. Cada encontro da série é composto pela presença de duas/dois artistas que são convidad@s a falar sobre como essa relação corpo-palavra se estabelece no processo artístico de cada uma/um.

A escolha por duas/dois artistas em cada encontro também revela um desejo de cruzar os processos artísticos e de promover um diálogo, para que a RELAÇÃO seja a base do ambiente proposto. Dois ou três dias antes do encontro, as/os artistas são provocad@s com 3 perguntas, postas como motivações e inspirações para a fala de cada convidad@; de maneira alguma são perguntas que necessitam de resposta direta – servem de convite ao tema e de tapete para o chão de nossas curiosidades.

Hoje em dia vemos que o campo das artes está com mais aberturas para receber as expressividades, e esse foi um espaço conquistado nas últimas décadas. Consideramos essa abertura um ganho importante para a Arte, mas nos provocamos diante de uma questão que a nosso ver fica mais latente nesse panorama: qual o papel do artista no mundo de hoje? Que corpo-palavra é esse que o artista instaura como Arte? Quais são os desdobramentos que as relações entre o corpo e a palavra estão suscitando e pedindo espaço de expressão?

Não nos interessa aqui definir qual corpo e qual palavra desejamos que entrem em relação, e sim escutar a voz processual da experiência de cada artista na sua relação com a criação, e nos posicionar também em como essa relação atravessa o nosso processo com a criação. O que nos interessa aqui é dar visibilidade a alguns possíveis dessa relação corpo-palavra através de algumas provocações, com o desejo de fazer nascer novos questionamentos e novos encontros do artista com o mundo, do artista com a Arte.

A Arte hoje em dia não pode ser mais somente estético-contemplativa, ela deve estar enlaçada e comprometida no diálogo com aquilo que nos provoca afecções. Hélio Oiticica já anunciou isso em 1965, mas tornar a arte uma prática de um modo de vida ainda é um aprendizado que está nos seus primeiros passos:

“A arte muda sim, mas faço questão de frisar que não concebo uma ‘nova estética’, mas justamente o contrário: elaborar, definir o que conceituo como antiarte. Para mim os conceitos de arte como uma atitude fixa, contemplativa, acabaram – não podemos mais conceber “estéticas”, mas sim um modus vivendi do qual se ergueram novos valores ainda nebulosos. O precário, o ato, o ‘fazer-se’, tomam sentido como valores a considerar: mas o principal é a não formulação de “leis” para a arte ou algo assim. A época do racionalismo dominante chega a seu término: daqui por diante o intelecto aparece como parte de uma concepção de uma totalidade da vida e do mundo, na qual aparece a arte como impulso criador latente da vida. Não se trata pois da “arte” como objeto supremo, intocável, mas de uma criação para a vida que seria como que uma volta ao mito, que passa aqui a ocupar um lugar proeminente nessa totalidade. Esse mito seria regido por ‘estados criativos’ em sucessão no individuo e na coletividade – não se quer o ‘objeto de arte’, mas um ‘estado’, uma predisposição às vivências criativas; um incentivo à vida. Logicamente também estariam desacreditadas todas as supostas ‘novas morais’ em oposição às antigas, tendendo a uma antimoral.” (OITICICA: 2009, p. 37)

Qual palavra-corpo e qual corpo-palavra que está sendo posto em ação no mundo? Esse questionamento nos remete ao maior grau de responsabilidade que sentimos ter o artista e suas ações no mundo de hoje, um mundo onde é mais difícil se colocar omisso ou esconder seus atos e, a nosso ver, todo processo artístico deve ter como base de sua criação o trabalho de afinamento e burilamento da presença no ato de criar e da atenção às responsabilidades que cada ação está propondo no âmbito social, político, educacional e cultural.

Devolver ao corpo as sensações que intensificam vida e despertam motivações para a continuidade do caminhar, utilizar as palavras como um terreno fértil de criação de questionamentos para impulsionar o corpo que deseja vibrar aquilo que inspira sentido: é nesses cruzamentos entre corpo e palavra que acreditamos ser possível a instauração de novos padrões de percepção e interação social que são corporificadas na experiência de um processo artístico. O músico Leandro Floresta nos provoca o pensamento ao dizer que “a pergunta na música é o que faz musicar, a tensão na música é aquilo que torna o movimento musical, (…) a pergunta é muito mais vital do que a resposta, a resposta é um acontecimento que acontece quando já está movida a pergunta”. (BERNARDI: 2012, p.20) [*]

Aqui deseja-se reconhecer e evocar o artista como aquele que se provoca e se questiona incessantemente na sua relação com o mundo, e não somente alguém que desenvolve uma linguagem artística, como a música ou a dança; a/o artista aqui é defendid@ como aquel@ que disponibiliza seu corpo para os atravessamentos da sua relação com a natureza e com as outras pessoas, da sua relação com a cidade e os modelos sócio-políticos vigentes; a/o artista como aquel@ que se move na fronteira do que sente e deseja expressar e o que el@ reconhece estar instaurado social e politicamente no mundo, a/o artista como aquel@ que abre furos e horizontes nas possibilidades e nos desejos de comunicação.

P a L a v r a

Pá que Lavra

Lavoura

Que tece a vida

E a comunicação entre o manifesto

E o não-manifesto

(poesia de   a l i n e  b e r n a r d i)

[*] BERNARDI, Aline. As relações entre o corpo e a palavra em processos artísticos. Orientador: Jorge de Albuquerque Vieira. Monografia de finalização de curso em Dança Licenciatura Plena. Rio de Janeiro: Faculdade Angel Vianna, 2012, segundo semestre (96 páginas).

5 comentários sobre “Corpo Palavra

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